O brilho maníaco de Bill Skarsgård em uma atuação visceral
Bill Skarsgård já provou diversas vezes que é um camaleão, especialmente quando o papel exige um toque de insanidade. Após aterrorizar o mundo como Pennywise e mostrar sua versatilidade em Barbarian e The Devil All the Time, o ator entrega em Dead Man’s Wire o que já está sendo chamado de uma das melhores performances de sua carreira. No novo filme de Gus Van Sant, Skarsgård dá vida a Tony Kiritsis, um homem que, sentindo-se injustiçado por uma empresa de hipotecas, decide fazer justiça com as próprias mãos da maneira mais drástica possível.
A performance de Skarsgård é descrita como “maníaca” e imprevisível. Ele transita entre a educação extrema — chegando a pedir desculpas por falar palavrões — e explosões de fúria incontroláveis. Essa instabilidade mantém o público na ponta da cadeira, transformando um sequestro que ocorre tecnicamente em um único ambiente em uma experiência eletrizante de tensão constante.

Uma história real que desafia a lógica e a ética
Dead Man’s Wire dramatiza um caso real de 1977 que paralisou a cidade de Indianápolis. A trama foca no momento em que Kiritsis sequestra o banqueiro Richard Hall (vivido por Dacre Montgomery, de Stranger Things), amarrando uma espingarda ao pescoço da vítima e ao seu próprio braço com um fio de metal. Se Kiritsis fosse baleado ou tentasse fugir, a arma dispararia instantaneamente no rosto de Hall.
O longa não é apenas um thriller policial convencional; é um estudo sobre como um criminoso pode, bizarramente, se tornar uma espécie de herói popular. Ao expor suas frustrações com o sistema bancário e os “poderosos”, Kiritsis ganha a simpatia de parte da população, levantando questões éticas desconfortáveis: até onde vai a razão de um homem empurrado ao limite? E quando a negociação deixa de ser uma busca por segurança e se torna uma entrega total de poder ao criminoso?

Elenco de peso e direção magistral de Gus Van Sant
Embora o embate entre Skarsgård e Montgomery seja o coração do filme, o elenco de apoio é um verdadeiro desfile de talentos. O lendário Al Pacino brilha como M.L. Hall, o pai da vítima, entregando uma atuação que foge dos seus personagens mafiosos habituais para encarnar um homem de negócios indiferente e glutão. Colman Domingo também se destaca como o DJ Fred Temple, que serve como a ponte de comunicação entre o sequestrador e o mundo exterior.
Cary Elwes, quase irreconhecível como o Detetive Michael Grable, e Myha’la, como uma repórter ambiciosa, completam o time que transforma o roteiro de Austin Kolodney em uma aula de atuação. Gus Van Sant utiliza sua experiência para focar no lado humano da tragédia, preferindo explorar as nuances psicológicas dos personagens do que investir apenas em cenas de ação explosivas.

Um thriller psicológico imperdível
Dead Man’s Wire é um prato cheio para quem ama histórias reais e dramas intensos de personagens. Com um ritmo que pode ser desafiador para alguns, o filme compensa cada minuto com diálogos afiados e uma atmosfera de perigo iminente. É um experimento social transformado em cinema, mostrando que, às vezes, a realidade consegue ser muito mais absurda e aterrorizante do que qualquer ficção.
Prepare-se para ver Bill Skarsgård consolidar seu nome como um dos grandes atores de sua geração em um filme que promete ser um dos destaques de 2026.














